quarta-feira, 19 de novembro de 2008

Mudanças II - a reação




E veio a quimio!!!!!
Depois de muita confusão, pra variar.
Essa coisa de plano de assistência médica é algo assustador. Vc só realmente descobre que é uma droga, depois que paga anos e precisa usar "de verdade". É tipo assim: o pedido não chegou, embora tenham informado que ele foi enviado há 5 dias, a aprovação demora 3 dias úteis, e a quimio tá marcacada pra ontem. Enfim, ninguém sabe, ninguém viu.
Até que a Patty tomou as rédeas, ou melhor, o telefone, e não sossegou enqto não acharam o dito pedido, aprovaram e enviaram de volta para realizar a quimio.
Claro que eu estava assustada. A gente sabe das reações que essa medicação provoca, naúseas, vômitos, dores e nem sei mais o quê. Mas com a consciência que é a caminho para a cura, fomos, lindas e louras, eu e minha fiel escudeira Patty.
A sala onde é realizada a aplicação é extremamente agradável, cores suaves, janelões que dão pra Lagoa do Taquaral, uma tv, enfermeiras competentes, que tratam os pacientes com dedicada atenção e extremo carinho.
Foram quatro saquinhos. Daqueles parecidos com soro, sabe qual, né?
Patty sentou na cadeira ao lado da minha, e enqto a enfermeira preparava a medicação, nos demos as mãos, e qdo a aplicação começou, oramos e choramos.Eu tinha certeza de que naquele momento, além de nós duas ali, outras tantas pessoas estavam conosco, em oração, e durante quase três horas ficamos ali, conversamos, rimos, fizemos planos e confiamos.
E acabou, e voltamos pra casa.
Reações??? Bem, estou hoje no quinto dia pós quimio, e tive dor de cabeça na noite de domingo, e só!
Claro que ainda podem ocorrer reações outras, cair o cabelo deve ser uma delas (não me sabia tão vaidosa, acredita???rs), mas estamos confiantes.
Voltei ao trabalho ontem. Foi muito bom encontrar meus colegas, receber o carinho deles, perceber no olhar da maioria, um certo alívio. É.....essa doença assusta.
Bom, estou bem e confio que Deus esta operando não só no tratamento, como também no propósito desse acontecimento em minha vida, de minha família e amigos.
Afinal, nada é por acaso, não é????


quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Mudanças




Algumas já são bem visíveis, por exemplo: o cabelo!
Das longas madeixas alouradas, restam boas lembranças, estavam lindas e continuam, agora guardadas no meu armário, prontas para se tornarem "reversíveis", se é que me entendem.
Agitação sempre foi minha receita. Acordava a 200km por hr. Sempre fui assim. Assustei o então marido, quando na lua de mel, acordei às 6 da manhã! As filhas não eram adeptas e sempre diziam: Mãe, menos, tá? Dá pra ser mais devagar?
Nunca pude. Andei sempre depressa, falei depressa, agitei, fiz, cobrei.
Agora, como diz a canção: Ando devagar porque já tive pressa....
E preciso aprender a esperar.
Esperar a cicatrização, o início da quimio;,a reação da quimio, o resultado da quimio, a analise dos exames, o parecer dos médicos e....... nada disso esta sob meu controle, ou do meu tempo.
Mas, além dessas mudanças, que eu chamaria de comportamento, há outras, que são as que mais me preocupam.
Elas estão ocorrendo dentro de mim, e ao meu redor.
Não fazia parte das minhas preocupações diárias, analisar cada passo e atitude e suas consequências.
Tudo parece que se revestiu de uma grandeza e uma importância até então desconhecida.
Preciso me alimentar bem, meu organismo tem que estar preparado para receber o remédio, que embora devastador, é nossa esperança.
Os pequenos, ou grandes dissabores têm que ser digeridos com calma, estresse ou depressão nessa altura só complicam a situação.
A demora nas respostas, deve ser encarada como maior oportunidade para assimilar o que ocorre ao redor, exercício diário de paciência e perseverança.
Enfim, elas estão aí, a cada minuto, mudanças com as quais tenho aprendido a viver, e a cada dia a lição se torna mais preciosa.
E vamos que vamos.......a quimio vem aí!!!!



domingo, 2 de novembro de 2008

Uma luta

Pois é, começou há exatos dois meses.
Mas nessa última quinta, depois do gongo soar, pelo fim do primeiro round, voltei pro banquinho e, descobri que é a luta mais importante da minha vida.
Claro que essa descoberta me assustou, sensibilizou, emocionou e por que não dizer "me baqueou", jogou no chão, mas não fui a nocaute e nem irei, já vou avisando!!
Meu pai costumava dizer que nas lutas o importante era saber "encaixar" o golpe, ou seja, saber recebê-lo e amenizar o sua força e consequente estrago. Tô fazendo isso.
Será uma luta árdua, dura, eu sei.
Mas tenho do meu lado uma torcida incomparável, que já vem se manifestando desde o início. E tenho mais, meu Deus que nunca me desamparou, e nem o fará, tenho certeza.
Nossa casa tem estado cheia de amigos queridos, telefonemas do Canadá, do Pará, de sampa. Tenho certeza outros ainda virão.
Todos amados, queridos, preocupados e disponíveis para o que der e vier.
A Neide já quer ir a sampa comprar uma peruca pra mim, pode??? Já avisei: só se for loira!!!!! A Michele quer (no dizer dela) subir agora em um avião e vir pra cá!!!
E o cuidado de minhas filhas??? Não dá pra descrever!!! E a ajuda incomparável do Ronaldo???
Todos ótimos, perfeitos!!!
E a maioria ao se despedir de mim, pergunta: O que mais eu posso fazer por vc???

Pois eu vou aqui, responder a vcs todos:

Por favor, não chorem por mim ou comigo!!!!
Briguem (mas não exagere, Emilio!), chamem minha atenção! Eventualmente se eu balançar, fraquejar durante a luta, gritem forte, alto.....me estimulem, jamais passem a mão em minha cabeça, concordando que é duro, dificil.
Sou movida a energia, a desafios, e é isso que espero, que me estimulem na luta, vibrem com minhas vitórias e não me deixem esmorecer em pequenas derrotas.
Porque o mais, meus queridos, vcs já tem feito, demonstrado todo amor e carinho por mim, coisas que não tem preço, eu sei.
E eu os amo muito mais por conta disso, tá???
Então é isso, lutem comigo, please!

domingo, 12 de outubro de 2008

Uma questão de confiança.

"Amo o Senhor, porque ele ouve a minha voz e as minhas súplicas. Porque inclinou para mim os seus ouvidos, invocá-lo-ei enquanto eu viver" Salmo 116




Este Salmo tem um significado especial em minha vida. Não apenas pela segurança e tranquilidade que o salmista transmite, mas também pelo fato de estar presente em momentos muitos especiais pelos quais passei.


Lembro-me de haver feito um estudo sobre ele, quando ainda era conselheira dos jovens em minha igreja, e ter frisado bastante esta imagem "inclinou ...seus ouvidos".

E ainda hoje, ela me impressiona sobremaneira. A atenção, o carinho demonstrado no ato de se "inclinar". Fico imaginado a figura amorosa do pai, com paciência e atenção, ao se inclinar para ouvir o filho, parando todos os outros afazeres e dedicando-se exlusivamente em atender ao filho. Sempre que me deparo com ela, vem junto à memoria cenas explícitas de carinho paternal que fui alvo.

Embora de temperamento forte, autoritário, aliás genético, meu pai sempre teve esta disposição, de ouvir e atender. Creio que seja característica intrinseca a todos, ou a maioria, dos pais.

Bom, por que estou, em plena manhã de domingo (deveria estar na escola dominical), escrevendo sobre isso? É que estou vivendo um momento delicado de minha vida, relacionado a minha saúde. Os útimos quarenta dias têm sido de exames médicos e consultas. Confesso que extremamente desgastantes, cansativos e às vezes constrangedor.

Mas, ao que tudo indica, estamos na reta final. Nessa segunda feira, dia 13, teremos a definição do procedimento que sera adotado pela equipe médica que esta cuidando de mim. Certo é que será um tratamento cirúrgico que, como se sabe, sempre traz um tanto maior de cuidados.

Meus amigos e familiares, têm-se revezado na preocupação e atenção para comigo. Alguns com a gravidade (??) do caso, outros com minha disposição emocional para enfrentar o que esta por vir. Mas todos, invariavelmente todos, cada um dentro de sua própria fé, tem-se colocado em orações e súplicas pela minha saúde, o quê me enche de alegria e gratidão.

De todos os nomes pelos quais conheço o Senhor, meu Deus (li um texto sobre isso ainda hj, vá lá: http://jamasaindanao.blogspot.com/), no momento tenho usado, e muito, de Pai Eterno, ou da Eternidade. Há momentos em nossa vida que essa noção de eternidade é imprescindível, embora não o sejamos, saber que Ele é, conforta o nosso coração. E a eterna disposição para ouvir, em tempos que os ouvidos, no geral são moucos, e atender, justificam a nossa fé em Seu amor incondicional.

E qual pai que não inclinaria os ouvidos, ouviria e atenderia a um filho em súplica? Mais ainda o nosso Pai Eterno, estará sempre pronto a inclinar seus ouvidos e ouvir as nossas preces, claro que dentro de sua sabedoria e onipotência, pois é certo que "todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus".

Portanto, queridos todos, posso garantir que estou confiando e descansando nas promessas do Pai Eterno, e espero que todos estejam também e, ainda citando o salmista:

" Volta , minha alma, ao teu sossego, pois o Senhor tem sido generoso para contigo."



domingo, 28 de setembro de 2008

Saudades do Dr. Alfredo

Não fui uma criança agitada, pelo contrário, mamãe costumava dizer que eu era muito "boazinha", e danados eram os meus irmãos.
Eles certamente não concordavam com isso, porque o quê nossa mãe chamava de "boazinha", eles classificavam como "filhinha da mamãe" e "entreguista", para não dizer "dedo duro". Bastava que ela me questionasse sobre qualquer assunto, inclusive a autoria de certos milagres, para que eu, sem pestanejar entregasse o santo.
Juro que era sem maldade, mas meus irmãos nunca acreditaram nisso.
No entanto, o fato de ser assim, comportada, não me livrou de alguns poucos acidentes infantis.
O primeiro, aos dois anos de idade, brincando de "pula pula" na cama de meus pais, tentei alçar voo e alcançar, com um abraço, minha mãe que passava pela beira da cama. Ganhei três pontos na testa, entre meus olhos, marca que tenho até hoje
O segundo, aos seis anos, estava em um balanço, em nosso quintal, e ouvia meus pais conversando na cozinha, quando num "vem" do vai e vem do balanço, senti um ardor no pé esquerdo. Ganhei seis pontos, e meus pais um grande susto.
São os acidentes que me lembro, no mais, apenas algumas poucas dores de garganta e a catapora, já aos dez anos.
Esses acontecimentos, sempre acompanhados de perto por meus pais, contou com a presença de outra pessoa, o Dr. Alfredo, nosso médico familiar.
Claro que ele era muito mais requisitado pelos meus irmãos, mas acompanhou, medicou e costurou todos os meus incidentes médicos.
Talvez seja por isso que agora, enfrentando esse inusitado momento, cheio de dores, médicos, exames, dúvidas e incertezas, eu tenha me lembrado dele.
Não há mais médicos assim. Todos são especialistas em alguma parte do corpo humano. Um cuida só do estômago, outro dos rins, outro do coração, dos ossos, da cabeça, ou seja, se o "mal" se estender a mais de um órgão, necessária uma junta médica para resolver o problema.
Com certeza o Dr. Alfredo era um sábio, garanto que ele já teria sanado todas as minhas dúvidas e incertezas, além das dores, me deixando tranquila para enfrentar o que esta por vir.

Saudades do tempo do Dr. Alfredo, saudades imensa de meus pais!

sábado, 27 de setembro de 2008

Bolachas - Revista e Corrigida



Tenho me deparado com pessoas, que, por mais que eu tente, não consigo entender. Atitudes e falas que se contradizem, e as danadas não tem manual de instrução, ou se tem, tá em javanês.

Fico me perguntando por que, nessa altura da vida, ainda usamos metáforas, parábolas, mensagens subliminares, indiretas, ao invés de dizer claramente o que queremos ou pensamos!

Isso é um saco! Brincar de faz de conta tem um certo charme, mas como todo excesso, cansa.

Prefiro, sempre, a clareza do dia ou a escuridão da noite, ao lusco-fusco....

A coisa acontece mais ou menos assim: depois de muita canseira, vc conhece "aquela" pessoa, interessante, inteligente, bem humorada, tudo de bom.....

E vc que estava de regime de abstinência, sublimação, dieta rigorosa desde a última extravagância que lhe rendeu uns quilos a mais, por conta daquele chocolate que vc ingeriu para curar a sua deprê/carência/frustação, decide:DANE-SE A DIETA!!

Está mais que convencida que é a melhor decisão da sua vida, esquecer a dieta e "entrar de cabeça" nessa nova e maravilhosa experiência!

Começa então a fase que chamo de "dança do acasalamento" ou " de sedução", ou " de conhecimento", que é demorada, exige paciência, tolerância, sagacidade, e muito, mas muito bom humor, mesmo!

Mas é boa, hein??? Cansativa, mas deliciosa!

Até que, após esse exaustivo período, assim, quase que sem aviso prévio ( vc jura, ??rs), aquela luz vermelha, (sabe, aquela que a gente tem, mas vive ignorando??? É, essa mesmo!) ela não só acende como passa a girar e emitir o som de uma ambulância em horário de rush, e vc acaba por perceber que está diante de um ser que se considera: A ÚLTIMA BOLACHA (RECHEADA) DO PACOTE!

Ah.....claro que vc já ouviu essa expressão! Mas vou te ajudar.Tenho certeza que vc conhece alguém assim, mas se ainda não conheceu, fique preparada para reconhecer quando ela cruzar a sua vida e, fique certa, isso vai acontecer!

É aquela figura que te convida para um passeio, em dia de sol, em um conversível lindo (tá, pode ser uma Ferrari, tudo bem, é um exemplo, vc pode escolher o modelo que quiser, ok???), abre a porta do carro pra vc, fecha, dá a volta, senta ao volante, te dá aquele olhar 42 e 1/2, liga o carro, engata uma primeira, segunda, terceira .....quarta e.......quando vc acha que vai engatar a quinta......deixar o carro deslizando e pegar a sua mão, o engraçadinho puxa o freio de mão e vc....bom, vc continua o passeio, SOZINHA, claro!

É aquele tipo que adora seduzir, que gosta mais de jogar do que de ganhar. E é bom nisso! É o máximo.!
Vamos combinar que ele conhece todas as manhas, os lances, as jogadas......só que na hora de finalizar.....pior que seleção brasileira disputando final.....ou seja, AMARELA!!!!!

Essa é a hora que começam as divagações, os "não sei", os "não tenho tempo" , "o problema sou eu, não vc", " vc é ótima, mas.." e outras coisinhas q vc sabe tão bem quanto eu. E vc passa a se perguntar onde foi parar a tal bolacha, ops....pessoa tão interessante que estava ali até agorinha pouco??????

Deixa te contar uma coisa.......essa criatura, esse ser, REALMENTE é a última bolacha (recheada) do pacote, sabe por quê??? Putz....mas é tão simples, como vc não percebeu isso antes????

Se é a última....é porque ..... SOBROU!!!!

Claro que sobrou!!! Tem, e teve sempre tantas escolhas, que nunca sabe o que quer, tem crise existencial, carrega o mundo nas costas, por esporte!

Quer saber? Cansei desse tipo!

Por quê???? Oras, primeiro porque não sei há qto tempo a sobra tá lá........se o pacote ficou aberto, se tá murcha, quebrada, alguém já tirou o recheio, sei lá......e por fim:

QUEM DISSE QUE EU GOSTO DE BOLACHA RECHEADA???????

Prefiro uma "água e sal" ou "cream craker", são mais confiáveis.

Além do que, de dieta, esqueceu??????


segunda-feira, 22 de setembro de 2008

"...o único afrodisíaco verdadeiramente infalível é o amor. Nada consegue deter a paixão acesa de duas pessoas apaixonadas. Neste caso não importam os achaques da existência, o furor dos anos, o envelhecimento físico ou a mesquinhez das oportunidades; os amantes dão um jeito de se amarem porque, por definição, esse é o seu destino." Isabel Allende

domingo, 21 de setembro de 2008

Não pise na grama




Tenho um gramado imenso em frente a minha casa.
Em dias de céu limpo, gosto de me esticar sobre ele e ficar horas admirando a imensidão azul.
Nesses momentos de pura satisfação, sou como ele, que ao sabor das estações vai se modificando, do verde intenso ao marrom ressequido da época de estiagem.
No entanto, não importa em que estação do ano estejamos, requer sempre cuidados.
No período chuvoso, a terra fica mais fofa,sensível a qualquer ato, que mais violento pode causar profundos prejuízos. Mas é o período em que esta mais viçoso, mais verde, mais bonito.
Na estiagem, a secura excessiva, se não amainada por eventuais jatos de água fresca, podem retardar, em muito, o retorno do viço verde.É quando mais precisa de cuidados, embora não seja a sua melhor fase.
E assim vamos vivendo, cumprindo o ciclo da vida, da chuva a estiagem.
Porém tenho percebido que o tempo (ah, o imperdoável tempo!), tem alterado algumas condições, que eram naturais, trazendo alterações ao cumprimento do ciclo. Seria o aquecimento global? Talvez.
Por conta disso estamos mais sensíveis, ele e eu. Mais propensos a emoções desmedidas, reações inesperadas, suscetíveis a mudanças de humor maiores que as das estações do ano.

Mas o ciclo há que se cumprir, então, em nossa defesa, mandei colocar um aviso, a quem possa interessar:

Por favor, não pise na grama!!







sábado, 13 de setembro de 2008

É apenas uma tentativa, vamos ver no que vai dar!

Pois então, parece que os próximos dias serão de cama e meditação.
Sendo assim, já que dei a idéia, tomei pra mim tb, vou tentar manter o espaço com minhas impressões sobre a vida, pessoas e sentimentos (não necessariamente nesta mesma ordem).