sábado, 20 de junho de 2009

Mistérios.....



Somos, todos nós, curiosos dos fatos que nos cercam. Por conta dessa curiosidade evoluimos, transportamos barreiras, criamos soluções e inventos inimagináveis.
No entanto, a permanência do mistério, relacionado a situações que vivemos, nos é praticamente insuportável. Queremos, necessitamos, é imprescíndivel que conheçamos a razão de tudo.
Lembro de uma novela, exibida há algus anos, em que havia uma persongem, uma senhora idosa, por nome de Dona Milú, que conhecia toda a história da cidade e seus personagens, mas fazia questão de manter tudo em segredo. Quando lhe perguntavam qualquer coisa que fosse, ela respondia: MISTÉRIOS!!!! E a moda pegou. Quando algo não tinha explicação, lá vinha o chavão: Mistérios de dona Milú!!
Na ficção era aceitável, mas na vida real, precisamos de respostas, razões que nos levem a segurança de saber o quê e o porquê de todas as coisas.
Não que tenhamos que nos conformar com tudo que nos acontece, sem qualquer questionamento. Entendo que na maioria das vezes, os ensinamentos que tiramos desses acontecimentos, serão fundamentais para nosso crescimento e entendimento da vida.
No entanto, somos desprovidos dessa sabedoria,a oniciência realmente não faz parte de nossas qualidades, é exclusiva do Senhor, que tudo sabe, tudo vê.
Muitos tem me perguntado o "por quê" de tantos acontecimentos que têm tumultuado as nossas vidas nos últimos tempos: o câncer, os transtornos, a invasão de nossa casa, a ameaça à vida da Thais, só tenho uma certeza:

"Porque nossa leve e momentânea tribulação produz para nós um peso eterno de glória" II Cor. 4.17

Posso não ter as respostas para todos os mistérios, mas confio em quem tem, e por ser assim, não há revolta nem desespero, há CONFIANÇA, sempre, como a criança que, sem temer, se lança aos braços abertos do pai, porque confia que ele NUNCA a deixará cair.

E eu sei em quem tenho crido!!!!!

sexta-feira, 12 de junho de 2009

Hoje eu canto......


Pra rua me levar

Não vou viver, como alguém que só espera um novo amor
Há outras coisas no caminho onde eu vou
As vezes ando só, trocando passos com a solidão
Momentos que são meus, e que não abro mão
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar, e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora


Vou deixar a rua me levar
Ver a cidade se acender
A lua vai banhar esse lugar
Eu vou lembrar você

É mas tenho ainda muita coisa pra arrumar
Promessas que me fiz e que ainda não cumpri
Palavras me aguardam o tempo exato pra falar
Coisas minhas, talvez você nem queira ouvir
Já sei olhar o rio por onde a vida passa
Sem me precipitar, e nem perder a hora
Escuto no silêncio que há em mim e basta
Outro tempo começou pra mim agora

Vou deixar a rua me levar

terça-feira, 9 de junho de 2009

Duas notícias..e uma escolha.....

Talvez hoje não devesse escrever.
Normalmente meus "posts" são otimistas, até porque EU SOU,irremediavelmente, uma otimista e, também, porque sempre procuro escrever sobre experiências pessoais, especialmente as que tenho vivido desde que comecei meu tratamento contra um câncer de ovário, mas, se dessa vez eu der uma escorregadinha, me desculpem.
Como disse no post anterior, fui submetida a uma cirurgia de retirada do tumor, que foi considerada um sucesso, pelo Dr. Torres (mais conhecido aqui em casa como Dr. House - não faço a menor idéia do porquê!!).
Analisado o material retirado na cirugia, fui "devolvida" a Dra. Laura (tem foto dela mais abaixo), a oncologista, que nos deu duas notícias: uma boa e outra não boa ("ruim" não vou escrever, tá????)
Interessante a capacidade que temos de ressaltar, ás vezes em demasia, uma situação.
Quando conhecemos uma pessoa, que a principio nos interesse, passamos a "ressaltar" as suas qualidades, com o tempo, quando os defeitos começam a aparecer, temos duas reações: se já gostamos da pessoa, eles são mínimos, mas, se ela já não nos é interessante, os defeitos se tornam monstruosos, sobrepondo de maneira irremediável qualquer qualidade.
Assim é também em outras situações de nossa vida, como no presente caso, tenho duas alternativas:
A primeira é me focar na notícia "não boa" e me decepcionar, chorar, lamentar e sofrer......
A segunda é enfatizar a boa notícia, festejar com ela, sentir um alívio, respirar e agradecer a Deus.
Não vou negar que, à principio, reagi mal, chorei e fiquei decepcionada. Mas isso foi às 16hs da tarde, e já são 20:40, portanto, vamos ultrapassar essa parte, certo?
Vamos lá:
A NÃO BOA: tenho que fazer mais seis aplicações de quimioterapia, como prevenção para que a doença não volte, reduzindo a possibilidade de alguma "mardita" microcélula cancerosa, safada, ter ficado perdida em algum canto do meu organismo.

Agora, A BOA: NÃO TENHO MAIS A DOENÇA!!!!!!!!

E isso não é maravilhoso?????

domingo, 31 de maio de 2009

Um perfume no ar


Manhã de domingo, céu nublado.
Tudo indica que deva ser um dia "enfurruscado", como diria a minha mãe.
Mas, em um quarto, sob n.º 39, no Centro Médico de Campinas, o sol brilha, o céu é azul, e há um especial perfume no ar.
Isso mesmo, estou escrevendo ainda de minha cama de hospital.
Quero contar para vocês que tem acompanhado todo esse processo comigo, como foram esses últimos dias.


A quinta feira foi de total ansiedade e expectativa, todo mundo andando na corda bamba, até as 17 hs, quando o Dr. Torres (mais conhecido entre nós por Dr. House..rs), deu as boas novas: a cirurgia foi um sucesso, melhor do que se esperava!
Vamos aguardar o resultado dos anatomos, para saber a continuidade do tratamento.
Mas, até que venham, o momento é de festa e agradecimento.
Primeiramente a Deus, que ouviu nossas preces, e quantas foram!!! Penso que Ele nem aguentava mais ouvir meu nome! rsrs
Sou grata a minha família, mais especificamente a Patricia e Thais, que têm cuidado de mim com carinho e dedicação.
E depois, a todos os familiares e amigos, incansáveis nas orações!
A toda equipe médica, que Deus conduziu, mesmo sem que soubessem.
A um sem número de enfermeiras que entram e saem deste quarto com medicação, medem a temperatura, pressão e atendem a cada chamado meu.
E algums delas, quando entraram aqui disseram:Este é o quarto mais perfumado do hospital!
Respondi que era o perfume da alegria, até que uma delas completou....é o perfume de Jesus.
E não é?????





fotos by Patty (Centro Médico de Campinas)

quarta-feira, 27 de maio de 2009

"Faz um milagre em mim"



Tenho ouvido ultimamente, um cântico de louvor que tem tocado muito o meu coração, e tem sido a minha oração diária.
Talvez seja pelo fato de estar muito mais sensível nesse período de tratamento.
Hoje, véspera da cirurgia, que deve nos mostrar o resultado de todo esse processo, e direcionar os próximos passos, tive um dia abençoado.
Foram tantas orações, telefonemas, recados, cuidado de amigos e parentes tão queridos e tão preocupados comigo, que posso dizer agora, no final da noite, que meu coração esta leve e tranquilo.
Sei que o Senhor Meu Deus estará guiando todos os meu passos amanhã, e conduzindo as mãos daqueles que estarão cuidando do meu corpo.
Tenho certeza de que Ele já operou um milagre em mim, mas ainda assim, peço que se junte comigo nessa oração, quem sabe vc tb não precise de um milagre???


Como Zaqueu eu quero subir,
O mais alto que eu puder.

Só pra te ver, olhar para Ti,
E chamar sua atenção para mim,
Eu preciso de Ti Senhor,
Eu preciso de Ti o Pai.

Sou pequeno demais,
Me dá a tua paz,
Largo tudo pra te seguir.

Entra na minha casa, entra na minha vida,
Mexe com minha estrutura, sara todas as feridas,
Me ensina a ter Santidade,
Quero amar somente a Ti,
Porque o Senhor é meu bem maior,
faz um milagre em mim.

sábado, 23 de maio de 2009

Eu quero uma casa em Campos


Acho que ele deve ter estado lá, quando compôs a música!
Fomos todos surpreendidos ontem, quando da notícia do falecimento de Zé Rodrix.
Na hora me veio a canção, e cantarolei para minhas filhas que, embora conhecessem a música, não sabia nada sobre o compositor.
Falei o que sabia, o quanto era inteligente e versátil: compositor, cantor, marketeiro,escritor e de um humor inigualável.
Voltamos de Campos do Jordão na terça, bem no finalzinho do dia, e lá, naquele lugar privilegiado, eu havia cantado essa música.
Penso que, quando a escreveu, o Zé conseguiu expressar o desejo íntimo de cada um de nós que vive nos centros urbanos cheio de horários, compromissos, agito e muita, mas muita violência.
Esses dias passados lá, na tranquilidade e no frio, próprios do lugar, me deram ânimo novo para enfrentar o que esta por vir, é, semana que vem, quinta feira: cirurgia.
Naquele lugar de céu límpido, de um azul de doer nos olhos, e de noites frias e céu forrado de estrelas, que quase se pode tocar, a certeza de que estamos nas mãos poderosas e seguras do Criador, é confirmada.
A vontade, além de cantar a canção, é de vivê-la ali, naquele lugar mágico.
Há obras primas em nossa cultura musical, sem dúvida, essa é uma delas:

CASA NO CAMPO

Eu quero uma casa no campo

Onde eu possa compor muitos rocks rurais

E tenha somente a certeza

Dos amigos do peito e nada mais

Eu quero uma casa no campo

Onde eu possa ficar no tamanho da paz

E tenha somente a certeza
Dos limites do corpo e nada mais

Eu quero carneiros e cabras pastando solenes
No meu jardim

Eu quero o silêncio das línguas cansadas

Eu quero a esperança de óculos

E um filho de cuca legal

Eu quero plantar e colher com a mão

A pimenta e o sal

Eu quero uma casa no campo

Do tamanho ideal, pau-a-pique e sapé

Onde eu possa plantar meus amigos

Meus discos e livros e nada mais!

Onde eu possa plantar meus amigos

Meus discos meus livros e nada mais!

Onde eu possa plantar meus amigos

Meus discos e livros e nada mais!


Obs.: Composição de Zé Rodrix e Tavito.

domingo, 10 de maio de 2009

10 de Maio - Dia das Mães

Era um domingo como o de hj. Dia de sol com esse arzinho frio de outono, céu azul de doer os olhos, mas eu só perceberia isso algumas horas mais tarde.
Morávamos ainda em Americana, e meus pais, já há muito, aqui na Chácara.
Acordamos cedo e fomos a Igreja, eu, Ronaldo e as meninas.
Lembro muito bem do encerramento da Escola Dominical: hinos, poesias e homenagem às mães. E que fiquei observando, com uma certa inveja, a esposa e a filha do pastor Joás, trocando abraços e beijos, e pensei que em poucas horas eu estaria fazendo o mesmo com minha mãe.
Sempre fomos muito ligadas, eu e ela. No período em que eu fazia faculdade, papai já era pastor na igreja de Americana, e eu morava com minha avó em Campinas. Quando chegava o final de semana, vinha para a casa deles, e a primeira coisa a fazer era ir para meu quarto, com a mamãe, e contar TUDO que havia acontecido durante aqueles longos cinco dias. Na manhã de sábado, íamos às compras. Papai ficava meio bravo com isso, mas acho mesmo que era um tanto de ciúmes por essa intimidade toda.
Naquele domingo terminada a ED, passamos em casa para trocar de roupa, para depois virmos para o almoço dominical, que nesse dia, também era "das Mães". Aproveitei para dar uma geral na cozinha, e nesse momento, não sei de onde, me veio uma tristeza e comecei a chorar, assim, do nada, sem nenhuma explicação.
Chegamos na chácara por volta do meio dia. Vazia. Meus pais, minha irmã e sobrinhos não haviam chegado ainda da igreja. Nessa época papai era pastor em Cosmópolis.
Como eu tinha chave da casa, entrei já ouvindo o telefone, que corri para atender.
A partir daquele momento, nossas vidas, minha, de minhas filhas, de meus irmãos e sobrinhos, mudou radicalmente.
Tenho lembrança de cada detalhe. De cada telefonema que tive que dar. De quantos abraços recebi. De quantas explicações dei.
A primeira pergunta era sempre a mesma: Os dois?? E a mesma resposta: É, os dois!
Depois de todas as providências tomadas, fui para o pomar. De lá fiquei olhando a casa cheia, como em dia de festa, como meus pais gostavam. Só não havia o som de risadas e músicas.
Apanhei uma laranja e, conforme ia comendo os gomos, para tentar amenizar o "bolo" que se formara em meu estômago, tive a certeza de que aquele momento, aquele lugar, aquela cena, jamais sairiam de minha memória.
Hoje, passados dezessete anos, o domingo é lindo, de sol e céu azul...e é dia da Mães.
Sem dúvida a dor é bem menor, mas a saudade, essa é imensa.
E eu sei que sempre que comemorar essa data, a cena no pomar, a lembrança daquele dia voltará, viva, como se o tempo não tivesse passado.
Mas não há mais tristeza, há só saudades e gratidão, o legado que me deixaram, a força, os princípios esses foram fundamentais para formar a pessoa que sou, e que tento hoje, passar para minhas filhas.
E há alegria,porque é DIA DAS MÃES, e tenho duas pessoas lindas a me lembrar disso, com beijos, abraços, como os que já dei.
"Herança do Senhor, são os Filhos"




Patty ainda bebê


e


Thatinha


sábado, 25 de abril de 2009

143,5.......2 x 0

Pois é....esse é o placar atual!!
Ou seja, estamos vencendo a guerra, já que somos vitoriosos em duas batalhas.
A primeira, quando baixamos o Ca (lembra, o tal da Glicoproteína???) de 6.980 U/ml para 521 U/ml, isso após três sessões de quimioterapia.
Agora, findo o ciclo de seis quimios, baixamos a dita para 143,5 U/ml!!!!!
Sem dúvidas uma vitória a ser comemorada, não é mesmo???
Claro que se tivéssemos conseguido "zerar" seria perfeito, mas, como disse a Dra. Laura, a oncologista que "cuida" de mim, esse "restante" vamos tirar na cirurgia.
Portanto, na próxima quarta feira, após a consulta com o Dr. Torres, provavelmente já teremos a data da cirurgia, aí sim, diremos que vencemos a guerra, ou ainda nos resta uma batalha a enfrentar.
Por que estou escrevendo no plural??? Bom.....não estou sozinha nessa luta, né mesmo???
Acho justo incluir a família e os amigos aqui.


Essas fotos são da sexta e ÚLTIMA (se Deus quiser!!!) quimio,

Cris, enfermeira dedicada e muito bem humorada,

Dra. Laura, além de muito competente, um doce de pessoa! (Coisa de baixinhas mesmo...rsrs).

Tenho muito a agradecer às duas, afinal foram cinco meses e seis sessões em que foram companheiras, compreensivas e me ajudaram muito nessa luta. Dizer "obrigado" seria muito pouco, o quê espero, e desejo, é que continuem a exercer o seu "ministério" como o mesmo amor e dedicação que têm hj.

Enfim, pessoas.....darei notícias na próxima quarta, dia 29, combinado?

Segue um texto que recebi por email, que venho tentando praticar, às vezes sem sucesso, durante todo esse tratamento:


ATITUDE!!


Uma mulher acordou uma manhã após a quimioterapia , olhou no espelho e percebeu que tinha somente três fios de cabelo na cabeça.

- Bom (ela disse), acho que vou trançar meus cabelos hoje.

Assim ela fez e teve um dia maravilhoso.

No dia seguinte ela acordou, olhou no espelho e viu que tinha somente dois fios de cabelo na cabeça.

- Hummm (ela disse), acho que vou repartir meu cabelo no meio hoje.

Assim ela fez e teve um dia magnífico.

No dia seguinte ela acordou, olhou no espelho e percebeu que tinha apenas um fio de cabelo na cabeça.

- Bem (ela disse), hoje vou amarrar meu cabelo como um rabo de cavalo.

Assim ela fez e teve um dia divertido.

No dia seguinte ela acordou, olhou no espelho e percebeu que não havia um único fio de cabelo na cabeça.

- Yeeesss... (ela exclamou), hoje não tenho que pentear meu cabelo.

ATITUDE É TUDO!


Faça a sua parte e deixe o restante com Deus .

sexta-feira, 10 de abril de 2009

E o resto é mar......



Todo final de ano, assim como tem meu niver, o Natal e o Reveillon (putz....é um saco escrever essa palavra!!) tem CD do RC (leia-se Roberto Carlos).

Não torça o nariz! Vai-me dizer que num tem, pelo menos UMA, música dele que você goste, que te lembre alguém, um amor, um desamor????

"Olha vc tem todas as coisas, que um dia eu sonhei pra mim,
A cabeça cheia de problemas, não importa eu gosto mesmo assim.."

Esse foi o tema de meu primeiro amor, lá nos idos dos meus 17 ou 18 anos, ouvi infindáveis vezes, a ponto de enlouquecer minha mãe e "gastar" o long play. É, porque naquele tempo os discos eram de vinil e tínhamos vitrolas incríveis com direito ao chiado da agulha "raspando" no disco.

Pois é, fui fã ardorosa, apesar de suas manias e superstições, hoje justificadas como TOC (Transtorno Obssessivo Compulsivo...) que, vamos combinar, tinham seu charme e mistério, condições essenciais para a sobrevivência da imaginação fértil e juvenil.
Durante muitos anos, meu presente de Natal foi o lançamento do Rei.Ganhei de pai, mãe, irmã, namorados e marido.

Não sei dizer quando deixei de ganhá-los. Talvez tenha sido quando não havia mais tanta emoção em minha vida que justificasse uma trilha sonora,ou o inverso, sei lá.

Dia desse, a caminho do trabalho (é, eu trabalho, embora muitos duvidem disso!), ouvi na rádio o meu "idolo" em parceira com Cae (o Veloso) cantando Tom Jobim.

A lembrança que me veio, foi de tardes pós escola, deitada no chão do meu quarto, com a vitrola ao lado, a cabeça longe, e o coração adolescente, apaixonado.
Fui tomada por uma emoção indescritível. Um misto, de ternura, saudades, tristeza e esperança.

Uma vontade enorme de fazer o tempo voltar, de resgatar aqueles sentimentos, os planos, os sonhos não realizados.

Claro que a música acabou, e tinha o trânsito, e o trabalho me esperando, e o celular chamando, e o processo com prazo vencendo.....e tinha toda a vida acontecendo.....então, tive que voltar ao presente.

Sempre amei ouvir musicas(exceto sertanejo, axé e pagode), gosto de todos os gêneros, mas ainda sou fã (bem mais moderada dele, RC). E não sou a única, certamente!

Conheço muito gente que até diz que não gosta, mas sabe "by heart" a maioria delas, e até usa como meio (adorável) de sedução!!!

Descobri, naquela hora, alí, dentro do meu carro,que nesse momento da minha vida, passados tantos anos de minhas tardes juvenis, ainda tenho sonhos, desejos e muita disposição para o amor.

E que posso (devo!!!!) novamente ter uma canção de "fundo musical", então escolhi, nem é de autoria dele mas, cantada por ele, o "meu tema":

"Vou te contar, meus olhos já não podem ver,
coisas que só o coração pode entender
Fundamental é mesmo o amor,
é impossível ser feliz sózinho
E o resto é mar, é tudo que eu não sei contar
São coisas lindas que eu tenho pra te dar
Vem de mansinho a brisa e me diz:
É IMPOSSÍVEL SER FELIZ SÓZINHO...
Da primeira vez era a cidade
da segunda o cais e a eternidade
Agora eu já sei
da onda que se ergueu no mar
E das estrelas que esquecemos de contar
O amor se deixa surpreender
Enquanto a noite vem nos envolver..."


Agora, se encontrar alguém para um dueto, quem sabe escolha um outro tema?
Canta comigo?

sábado, 4 de abril de 2009

Conselho

" Se me pedissem que desse um único conselho que fosse o mais útil para toda a humanidade, seria este: espere alguma dificuldade como uma parte inevitável da vida, e quando ela chegar fique com a cabeça erguida, olhe-a direto nos olhos e diga: " Eu vou ser maior do que você. Você não pode me derrotar". "
(Ann Landers)




Ainda que para isso, você use óculos escuros!!!!!!

quarta-feira, 25 de março de 2009

Expectativa



"Esperança fundada em promessas, viabilidades ou probabilidades: a expectativa de um bom negócio. / Ansiedade, esperança."
Busquei no dicionário a definição da palavra, não porque eu não soubesse, mas para deixar expresso aqui.
Pois é assim que estou, ansiosa!
Lembrei daquele versículo: "Não andeis ansiosos, pela vossa vida....", mas quem disse que me sossegou??? Lembrei dos lirios do campo, acho linda a comparação...
Há alguns meses tenho vivido um misto de sentimentos: medo, surpresa, aflição, alegria. Mas hoje é de pura esperança.
Na próxima terça devo fazer a sexta quimioterapia.
Conversando com um amigo, concluímos que passou bem depressa e ainda, passou e passei bem.
Não posso reclamar, as reações foram absolutamente suportáveis.
Claro que algumas incomodaram mais: ficar careca é péssimo, engordar é mais péssimo ainda!
Mas fora isso, devo admitir que foi bem melhor do que eu esperava.
Sei que hoje, tenho por obrigação dizer isso. Minha médica quem me alertou: todos que passam mal alardeiam aos quatro cantos, mas quem supera sem grandes alterações, não segue o mesmo caminho.
Claro que não é a coisa mais agradável do mundo, mas esta sendo suportável.
E o melhor (se é que posso dizer assim) é que as coisas vão acontecendo gradualmente.
você começa a perceber as alterações no seu corpo. Por exemplo, antes do cabelo começar a cair, vc percebe que aumenta, e muito, a sensibilidade do couro cabeludo.
É o sinal que TODOS os pelos do seu corpo irão cair. Esqueça o telefone e endereço da depiladora, não precisará dela por um bom tempo!!!!
Bom, a peruca, chapéus e lenços ajudam a resolver essa questão estética e, aprender a "desenhar" as sombrancelhas e fazer o "contorno" dos olhos é fundamental!
Isso tudo acontece, ao menos pra mim aconteceu, na primeira aplicação. Já o aumento de peso é gradual, a cada sessão de quimio, há a tortura de subir na balança, e perceber que o peso só aumenta e aumenta!
Passei por isso tudo, e neste momento, que antecede a última quimio, minha ansiedade e expectativa estão no auge.

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Comecei a escrever esse texto no sábado, e obvio que não terminei.
Andei meio relapsa com meu blog, e até preguiçosa mesmo.
Mas, hj, quarta feira, decidi terminá-lo.

Pois é, o auge da expectativa me levou a uma profunda crise de choro na segunda feira, após receber o resultado do exame de sangue e minha médica dar o veredito: Nada de quimio amanhã!
Taí o resultado de uma grande expectativa......frustração.
Por mais que eu tenha dito, e acreditado, que não cabiam a mim as decisões, nessa hora esqueci de tudo!
Chorei....e muito, pela minha impotência diante dos fatos.
E não há nada que eu possa fazer, porque depende exclusivamente do meu organismo eliminar o excesso da quimio anterior.
Não há uma alimentação específica que ajude a aumentar o índice dos tais neutrófilos, ou sei lá o nome direito desses pestinhas. Definitivamente, eles mandam muito mais que eu!
Confesso que já tinha tudo "esquematizado" na minha cabeça: última quimio, avaliação, cirurgia. Já me via recuperada por volta do mês de maio, pronta para comemorar o Dia dos Namorados, embora não tenha um (ainda...rs).
Mas esses eram os MEUS planos, acontece que Ele tem Seus próprios planos.
E que nem sempre são os meus,não que os meus não sejam bons, é que os dEle são muito melhores, para mim.
Tudo bem, meu Deus, vou tentar me aquietar outra vez, já estava me esquecendo, não é mesmo??

"O coração do homem faz planos, mas a resposta certa vem do Senhor."

O quê é uma semana, para quem acredita na promessa de um sem números de semanas?

sábado, 7 de março de 2009

Pacientes Especiais


Nesta última terça feira recebi minha quinta dose de quimioterapia.
Pela primeira vez tive a companhia e os cuidados da Thais.
Incrível como os filhos são tão diferentes e tão iguais. Foi atenciosa e prestativa, como a Patricia também o foi, nas quatro anteirores.
Chegamos as duas da tarde e só saímos as sete da noite, sendo que a aplicação mesmo, só começou às quatro.
Nesse tempo todo, estivémos na sala de espera. Um entra e sai sem fim, de médicos, enfermeiras e pacientes muito pacientes.

Estava esperando minha hora quando vejo chegar uma senhora sorridente que me cumprimentou, ainda de longe, com um "oi, tudo bem?".
Dirigiu-se a recepção, falou com as atendentes, e retornou, chegou perto de mim e disse: Oi, querida! Vim marcar a minha quimio, fiz na semana passada. Ainda tenho 16 radio (radioterapia) e depois mais 4 quimios. Nossa,vc acredita que ainda tenho gosto de metal na boca!!!(e riu) E vc, como esta?
Na verdade, confesso que não me lembrava de ter falado com ela antes, mas não tomem isso como displicência de minha parte, é que a quimio "queima" um pouco a minha memória recente, além de "alterar" rapidamente a aparência daqueles que se submetem a esse tratamento.
Mas como ela já havia me cumprimentado na chegada e se dirigido diretamente a mim, supus que já houvéssemos conversado anteriormente.Agora, com ela mais perto observei melhor.
Estava tão bonita e elegante! Usava um vestido de tecido levinho, claro, com uns pequenos detalhes em amarelo, uma bolsa grande, moderna, amarela, um chapéu claro, de abas largas e uma fita com laço, tb amarelo. Mas, mais que tudo, seu rosto estava lindo, com uma leve maquiagem, as sombrancelhas desenhadas a lápis, um batom colorido nos lábios.
Contei que estava aguardando minha vez, para a penultima!!! E que o tratamento estava indo muito bem. E acrescentei, no final do nosso curto diálogo: Vc tá linda! Tá muito bem! Ela respondeu: Vc tb tá ótima. Tudo de bom pra vc! Trocamos beijinhos e ela se foi, sorridente.
Aquela cena ficou gravada em mim.
Ontem a Patty começou a me falar sobre um livro que ela está lendo(Amor, Medicina e Milagres - Bernie S. Siegel)e que classifica a nós, pacientes portadores de câncer, em três categorias:
- Aqueles que querem morrer, consciente ou inconscientemente, portanto ao tomarem conhecimento da doença ignoram, não aceitam, ou fazem pior, aceitam como sentença fatal.
- Aqueles que fazem tudo o que lhes mandam fazer, desde que não exija alteração radical na sua vida, que esperam que os remédios e os médicos sejam os únicos responsáveis pelo tratamento e cura.
- E os que, em menor número, entre 15 e 20%, não querem fazer o papel de vítimas, que aprendem a especialidade de cuidar de si mesmos. Exigem dignidade, personalidade e controle, seja qual for a evolução da doença. Não esmorecem, discutem alternativas, ou seja,lutam pela suas vidas, lutam bravamente contra a doença, e por isso são chamados de PACIENTES ESPECIAIS.

Na hora me veio a mente a figura elegante de minha "amiga" de chapéu com laço amarelo;depois no rapaz de vinte e cinco anos que já se sentou por duas vezes ao meu lado, na sessão de quimio, que não consegue chegar ao final sem que as reações comecem, mas chega sempre sorridente; naquela outra senhora que mesmo sentada ali, brinca com todas as enfermeiras, todos os paciente, ri alto e fala de suas possiveis paixões, e na minha amiga Vera, que tem uma fé inabalável, que sempre me diz: estamos curadas, não tenha dúvidas.

E disse isso a Patricia, que me respondeu: Você também é uma Paciente Especial!

Tenho certeza de que aqueles que tem convivido comigo me considerem muito mais uma IMPACIENTE ESPECIAL, do que qualquer outra coisa.
Sempre digo que tenho agido, diante do câncer, como reajo diante de todas as coisas da minha vida. É o meu jeito, não sei ser diferente disso, e não acho que isso me torne "especial".Não me dispus a lutar "especialmente" contra a doença, sou tão teimosa que estou sempre disposta a lutar contra TUDO com que eu não concorde. E posso garantir, não concordo nenhum um pouco com essa doença, menos ainda com suas reações e consequências.
No entanto, estou certa que ESPECIAL é a oportunidade que esta me sendo dada, de lutar pela minha vida, de rever meus valores, de buscar mais as bençãos que Deus tem preparado para mim, da Sua presença e do Seu cuidado para comigo.
Especial é o privilégio de conhecer pessoas fortes e lutadoras, que não esmorecem, que usam chápeus com laço amarelo e batom nos lábios, e que sorriem ao dizer: tenho 16 radio,e mais 4 quimio, e estou ótima! Estas sim, são PACIENTES ESPECIAIS.

domingo, 1 de março de 2009

Não levou o Oscar....



mas bem que merecia!!!!
Assistimos, eu e a turma aqui de casa, nesta quente tarde de domingo, o filme O Curioso Caso de Benjamim Button.
Filme ótimo!!! Daqueles que prendem a atenção do começo ao fim, e é longo.
O título minimiza a qualificação do "caso de Benjamin". Curioso é muito pouco, é incrível, inimaginável, impossível....
Bobagem ficar aqui fazendo observações desnecessárias.
O quê interessa mesmo é que o filme fala específicamente sobre amor, e suas diversas nuances.
Brad Pitt, está impecável, com e sem maquiagem, e lindo, como sempre.
O mesmo para Kate Blanchett, linda até envelhecida.
O filme termina deixando a certeza de que o amor existe, e esta por aí, à solta, a nossa espera.
E o mais importante, como diz a canção:
"Qualquer maneira de amor vale a pena, qualquer maneira de amor vale amar..."

sexta-feira, 27 de fevereiro de 2009

Um dia frio, um bom lugar pra ler um livro.....


Campos foi tudibom!!!
Dias perfeitos para quem queria fugir do calor e do carnaval.
Tranquilidade absoluta.

Clima perfeito para preparação.....estamos na reta final! Quinta quimio na próxima terça, isto é, se o exame de sangue que fiz hoje permitir (resultado só na segunda).
Mas estou tranquila.....Afinal: TODAS (eu disse T O D A S!!!) as coisas concorrem para o BEM, daqueles que amam a Deus!!!!

Beijos amados

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Não pise na grama e Não beije na boca!





Costumava dizer que fora a impossibilidade de vida e não a ausência de amor que nos separara.
Havíamos nos conhecido pouco mais de um ano após uma dolorosa separação, a minha. Longas conversas, troca de poemas, segredos, confidências e a descoberta de uma alma sensível do outro lado da tela, o quê durou alguns meses, até que decidimos pelo encontro.
Quando aconteceu, foi como se nos conhecêssemos há séculos e, o que acontecia apenas em palavras tomou forma.
Sempre que falo sobre essa fase, digo que ele foi um divisor de águas, do tempo na minha vida. Sei de mim antes e depois dele, apenas isso. Diria que não apenas permitiu como estimulou o desabrochar (bonito isso, não?) da mulher que morava em mim, não aquela que andava pela casa, cuidava dos filhos e do marido, mas a que eu via, apenas eu, quando me olhava no espelho.
Quando nos separamos, apenas fisicamente, um ano depois, falei isso pra ele, que me respondeu: “Não fiz nada, esteve tudo sempre aí....só faltava florir”.
Por mais de dois anos, foram apenas os poemas, algumas frases trocando notícias, raríssimos telefonemas, e qualquer possibilidade de encontro rejeitada.....era preciso respeitar a impossibilidade da vida.
Bem, mas a vida..... a vida a gente sabe como é: reserva surpresas.
Um dia, chega um email: um curso aqui na cidade, seria possível um encontro??
Há certas coisas que o tempo não muda.
Fui buscá-lo final de tarde de um sábado.
Quando entrou no carro, beijou aquele beijo de cumprimento, como se nos tivéssemos visto no dia anterior, fiquei imaginando até que seria pelo hábito, um descuido,...fez brincadeiras, como sempre.....o tempo não havia mudado nada.
Como nada??? Pintei os cabelos, vc não notou????
Não conhecia a cidade, e disse: Estou em suas mãos, vc é a anfitriã!
Escolhi um dos lugares que mais gostava na cidade. Um bar/choperia, instalado em uma casa antiga, restaurada, com um jardim lindo e um cão maravilhoso como mascote.
Sabia que ele iria gostar.
Final de tarde, noite caindo, luzes do jardim começando a serem acesas, e a conversa rolando solta, alegre.
A vida acabara de tornar possível o reencontro. Coisa especial essa possibilidade, quantas pessoas tem esse privilégio? Nós tivéramos. Foi impossível ficar indiferente a emoções que o reencontro trazia.... olhos nos olhos, as mãos a se tocarem de leve....
A noite chegou mansa, as luzes acesas. E
Estávamos praticamente sozinhos naquele lado do jardim, apenas uma mesa mais adiante com uma família, o casal e duas crianças.
O clima era propício..... a saudades, as lembranças, a proximidade.....impossível resistir.....um beijo.....outro beijo.....mais um, daqueles que a gente vai de mansinho, sente a mão na nuca, fecha os olhos e...sonha.
Até que ouvimos: Com licença..... Licença??? De onde vinha aquilo?? Interrompemos o beijo.....o clima....o sonho....
A garçonete estava parada em nossa frente, nos olhando (a mim pareceu que com certa satisfação) como se fosse a coisa mais natural do mundo interromper uma casal, que troca beijos!
Fiquei pasma, mas ela continuou impassível: É que acontece o seguinte, é proibido beijar aqui.
Não, eu não estava ouvindo aquilo, era um pesadelo. Mas ela insistia: São ordens. A casa é familiar, e os beijos podem constranger as crianças.
Sorri, completamente sem ação, sem noção, sem chão. Claro, tudo bem. Só faltou pedirmos desculpas.
Mal conseguia olhar para ele, de tão envergonhada que estava. até que.....espere um pouco! Como é que é?? Não pode beijar??? Céus, mas onde estamos??
Isso mesmo, não se pode pisar na grama, nem beijar na boca nos jardins da choperia!!!!!
Sentia-me ridícula, uma senhora,com mais de quarenta anos (também não direi quantos acima....), advogada, respeitada, mãe de duas moças, ser interpelada por uma jovem, por estar trocando beijos.... eu disse BEIJOS!!!
Ficamos tão constrangidos, que não nos restou alternativa senão pedir a conta e sair dali.
O responsável pelos beijos, divertia-se com minha indignação: Já sei vc não vai ficar calada, não é??
Num esforço para entender a situação, pedi que a conta fosse trazida pelo gerente da casa, o que aconteceu depois de certa relutância por parte dos funcionários. Comentei o ocorrido e, que como frequentadora antiga da casa, estava constrangida.
Foi a mesma explicação: “pode constranger as crianças”.
Olhei a única mesa ocupada nas proximidades,a família continuava lá, onde já havia alguns copos de chopp vazios sobre a mesa, e disse com o gerente: O senhor certamente tem razão!
Certamente não valeria a pena argumentar com ele, com certeza ele acreditava que era mais correto nos constranger por trocarmos beijos, do que aos pais que bebiam na frente dos filhos.
E saímos dali,onde era proibido pisar na grama, beijar na boca e permitido beber à vontade!
Mas o momento merecia mais que proibições, saímos em busca de um lugar onde fosse permitido beijar, e achamos!E o encantamento voltou, agora, sem restrições.
E recomendo: Crianças, pisem na grama......beijem muuuuuito na boca, e esqueçam as bebidas alcoolicas, e sejam felizes!!!!

(Esse texto foi escrito há uns 5 ou 6 anos. Resolvi postá-lo, depois de tanto tempo, por saber, neste ultimo final de semana, que hoje em dia, uma parte do casal em questão, esta feliz, apaixonado e, pode beijar em qualquer lugar.Be happy, honey!!!)

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Oi, Linda! ou O quê é um nome?



Sabe aquela cena de Romeu e Julieta, quando ela, já apaixonada (tolinha..rs) e após descobrir que o objeto de seu amor, é inimigo fidagal de sua família, questiona a importância ou não de um nome, já que ambos estão apaixonados, tipo assim:

"Oh, Romeu Romeu.. Pq tinha de ser Romeu?
Renega teu pai, rejeita teu nome.
Ou então, Jura que me tens amor,
e deixarei de ser uma Capuleto..."


Pois hoje eu tô pra dizer que acho importante, é muito, um nome!
Claro que não estou aqui me referindo a sobrenomes quatrocentões, aqueles que se vangloriam de ter cinco ou seis sobrenomes, comprovando a descendência de famílias importantes.
Quero falar dos nomes que damos às pessoas que fazem parte de nossas vidas.
Por exemplo, não há uma explicação lógica para o fato de a minha filha Patricia chamar sua amiga Ana Paula, que se conhecem a bem uns 13 anos, de ZÉ. É isso mesmo, chamam-se, uma a outra de Zé, e o que era uma brincadeira, acabou pegando. Outro dia no meio de uma festa, a Ana de longe, chamou a Patty: ô Zé!!! Claro, a Patty atendeu, e ninguém mais entendeu!!
Mas esse não é o único nome que ela e suas amigas se reconhecem, tem também: Kabeça, Zóio, Tupicio e Fórfinho (essa eu amo de paixão). São todas essas aí da foto!
Claro, é uma brincadeira entre elas. Mas também é uma forma especial que escolheram de se reconhecer.
Acho uma graça, me divirto com elas, e fico também admirada, porque são amigas há muitos anos, estudaram juntas, mas hoje são profissionais formadas em áreas diferentes, e continuam amigas e seus "nomes" permanecem.
E são nomes especiais, mais que os escolhidos pelos seus pais, foram escolhidos por amigas, por razões diversas, mas carinhosas, que acabaram por marcar suas vidas.
É por isso que não entendo, e fico muito brava (nem todos meus genes ruins foram destruídos pela quimio!), é quando alguém chama a mim de: linda!
Bom, primeiro que não sou, segundo que estabelecem esse "linda" como nome padrão, nivelam e igualam a TODAS as mulheres. Como se não fossemos seres únicos e especiais.
Ou talvez por conhecerem tantas, seja uma maneira fácil de não errar o nome na hora de chamar por uma delas.
Entendo que sejam pessoas superficiais, distraidas, que não conseguem estabelecer com outra pessoa ligações sinceras, que resultem em cumplicidade, afinidade e amizade.
Só é pior quando nos chamam de "Ô tia, vai levar o tomate??" ou então aquela secretaria, mais para "secretina": "Vc pode aguardar na linha, querida?" e tantos outros nomes que rolam por aí sem o menor significado.
Portanto, discordando (guardada as devidas proporções) da querida Julieta x Romeu, um nome é importante SIM.
Meus amigos, na sua maioria, têm nomes especiais que lhes dei. Todos sempre por uma razão especial, porque são especiais, cada um com sua própria característica.Tem a Ly, a Esther Maria, a Lalá, o Coração, o Bebê, o Bé, o Rabuja.....
E eu também recebi nomes especiais dados por eles, para uns eu sou Tâ, Tan, Nanica, Peste, Tan tan, Taninha, até de Boba - Lerda - Zureta, mas sempre com muito carinho!!!!

Ah, Julieta.....se vc num tivesse cometido o desatino de tomar aquela poção que te deram, além de ter ficado viva e curtido seu amor, dava vc a ele, o nome especial que quisesse, mesmo que fosse Romeu.

What's in a name? that which we call a rose,
By any other name would smell as sweet.
William Shakespeare

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Insônia ou Noites Sem Sol


"Ouvi dizer que são milagres, noites com sol..."
Adoro essa música do Flávio Venturini, já ouvi um milhão de vezes e não me canso.
Bom, se ele "ouviu dizer" que são milagres, é porque o milagre não tinha ainda acontecido com ele, certo?
Elas são comuns na minha vida. Noites sem sol nenhum! São noites de insônia, que passo, esperando que o dia se torne de sol.
Parece meio trágico, né? Mas não é. Não me fazem tão mal assim, e sou capaz de passar o dia todo bem, embora não tenha tido uma noite inteira de sono.
Geralmente, durmo um primeiro e rápido sono, e aí, do nada, meus lindos olhinhos castanhos abrem e se recusam, terminantemente, a fechar novamente.
Olho o teto, às vezes ligo a tv,pego um livro, mas na maioria das vezes, faço o quê todos fazem nessa situação: Começo a pensar. E o pior pensar nos problemas e tentar encontrar soluções, tomar decisões.
Acho que foi a Cora Coralina (escritora/poetisa) que disse, em uma entrevista, que deveríamos ter ao lado da cama papel e lápis, para anotar tudo o que lembramos, pensamos, as ideias que nos surgem durante a noite, porque são as melhores.
Ainda não fiz isso, mas deveria, porque eu, insone, resolvo problemas, tomo decisões brilhantes, que no dia seguinte, não lembro mais. Um desperdício!!
Essa noite, aconteceu isso. Mesmo tomando minha "balinha" pra dormir, e tendo ido pra cama à meia noite, as duas da manhã estava acordadérrima, até agora 6:00. Pode ser que tenha, a insônia, alguma coisa a ver com a quimio, a quarta, que fiz ontem.
E resolvi, modernamente, seguir o conselho da Cora Coralina e, anotar as minhas decisões, tomadas lá pelas três ou quatro da manhã, ou seja, postar aqui no blog. (Tenho esperança de ficar famosa com meus posts, como meus amigos blogueiros que tem link aí do lado).

São duas:

Primeira: Decidi declarar meu amor. É isso mesmo, escrever, ligar, procurar por ele, o que seja, mas tornar claro, pra ele, é óbvio, meu amor. Mas também, para não assustá-lo, dizer que ele não precisa se preocupar por não corresponder, ou ter que tomar qualquer decisão relativa a isso agora. Vou lembrá-lo que estou no hangar (para lá que vão os aviões, que precisam de reparos,não é?), e até que os técnicos/médicos me liberem, não vejo possibilidades de grandes vôos, terei mesmo que ficar no chão, com pés, digo, pneus bem fincados.
Mas vou me declarar claramente, assim, bem redundante mesmo. Preciso fazer isso, muito mais por mim, do que por ele. Porque gosto de estar apaixonada, me faz sentir viva (que novidade..)E esse amor, ainda que unilateral, me faz um bem enorme, e deve ser declarado, quem sabe ele não precise de "Noites com Sol"? Claro que seria ótimo ser correspondida, mas, o simples fato de ter consciência da minha capacidade de amar, me faz mais feliz, e estar mais feliz, me faz muito bem e estando muito bem, aumento minhas chances de sair logo do hangar.
E quando sair do hangar,e puder voar pra vida....quem sabe?

Segunda
: Hoje mesmo vou comprar uma cama para a Thais! Desde que o pai dela veio ficar conosco, por conta de ajudar nas questões práticas do meu tratamento, ela tem dormindo ora na minha cama comigo, ora em um colchão no chão do meu quarto.
Sua recusa em dormir no quarto dela com o pai, é compreensível, ele ronca. Já no quarto com a irmã, nem tão compreensível assim, até agora não entendi! Prefere mesmo o meu, ainda que eu tenha noites como essa de hoje, atrapalhando o soninho dela.
Bem, o sol nasceu....e já entra pela minha janela, tornando minha noite COM sol, até porque, ela ainda não terminou.
Estou voltando para cama. Tentar um soninho até as nove, depois tenho que ir trabalhar hj. Assuntos inadiáveis me aguardam.
Ainda que tenha anotado as decisões aqui, quem sabe se quando acordar vou me lembrar e ainda mantê-las, costumo esquecer, e também posso concluir que nem são assim tão boas. Vamos ver.
Bom, ao menos em relação a cama para a Thais, num tem jeito,vou ter que levar adiante!

Bom dia!

domingo, 1 de fevereiro de 2009

SINAIS

Não, não vou falar sobre o filme do Mel Gibson (Apesar de que, a bundinha dele bem que merece, né???rsrs).
Nem sobre os de trânsito, esses são bem fáceis de identificar: proibido estacionar, curva perigosa, sentido obrigatório, velocidade máxima permitida 80km...etc...etc... (céus, minha carteira tá vencida!!!!).
É um assunto que, confesso, tem me incomodado nos últimos tempos.
Falo dos sinais que emitimos.
Desde recém nascidos, somos compreendidos por nossos sinais.
Quando o bebê chora, está com frio, fome ou, algumas, vezes doente.
Quando criança, o choro continua sendo um sinal, acrescido de bater de pés, quando não muito bem educadas, ou até silêncio e recolhimento.
Adolescentes tem os tais dos questionamentos, transgressões, demonstrados por roupas "diferentes", cabelos coloridos, piercings.
A dificuldade na leitura e emissão, se dá no momento em que começa o interesse pelo sexo oposto. Parece que dá um "tilt" na máquina, e eles se confundem todos.
E fico me perguntando por que isso acontece, por que passamos a "dissimular" nossos sinais?
Claro que no começo, no princípio de qualquer relação, os sinais são claros, tipo: olhares, frases, telefonemas, demonstrações de carinho.
No entanto, quando ocorre um "desinteresse", a coisa toda muda de figura....
Espera-se que o ser em questão, perceba nas entrelinhas, ou apenas "fique no ar".
Isso ocorre mais especificamente com as pessoas que se conhecem pela internet. Eu disse "mais", e não "só" na internet.
A net facilita conhecer muitas pessoas ao mesmo tempo, e fazer uma seleção natural entre elas, "deletar" é fácil, só clicar lá e, pronto, tá feito.
O que considero complicado, é a maneira com que se lida com isso.
Daí a importância dos sinais que mandamos.
A minha sugestão, para facilitar a vida, seria usar os sinais de trânsito:

Quem não estivesse disposto a ter alguém em sua vida, usaria: "proibido estacionar".

Sendo o interesse apenas de amizade: "estacionamento permitindo das 8 às 18hs".

Para quem quer só se divertir: "curva perigosa a direita!"

Os novatos, recem separados: "Velocidade máxima permitida 40km".

Gostou da idéia??? Ótimo!
Agora, para o bem da humanidade, e sanidade mental de todos......pega o livrinho, e reaprenda os sinais, e decida qual vai usar!
Caso contrário, estaremos sujeitos ao caos no trânsito das nossas vidas....serão "veículos" danificados, muitos sem possibilidade de recuperação e sem seguro que cubra, danos em terceiros e PT, ops.....leia-se "perda total" (nada a ver com partido político...rs)

É só uma sugestão!!!!!

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A Revolta da Glicoproteína Ca 125

Título estranho?? Eu explico:

Que nós mulheres somos responsáveis pela perpetuação da espécie humana neste planeta (com pequena, porém efetiva, participação masculina), todos sabem.
E para cumprir tal missão, fomos equipadas com "instrumentos" próprios: útero, trompas e ovários.
Ocorre que, nem sempre dominamos o funcionamento desse equipamento, que por vezes toma as rédeas da situação e enlouquece, fabricando, por conta e risco (nosso), excesso de substâncias que acabam por criar problemas sérios.
Os tais dos ovários fabricam essa aí do título, que recebe o nome de Ca 125, não me perguntem a razão, talvez o google tenha a resposta.

O nível aceitável dessa glicoproteína (minha próxima cachorra terá esse nome, adorei!!), em um organismo saudável, é de até 35 U/ml.

Dia 10/10/08 o nível constatado no organismo desta blogueira que vos escreve, era de, nada mais, nada menos que 6.989,0 U/ml. Vamos combinar que, pouca coisa acima do normal, certo?
Foi nesse momento que, meu médico disse que minhas chances de NÃO ter câncer de ovário, eram de 5%.
É, fiquei mesmo foi nos 95%, constatados na cirurgia do dia 30/10.
Foi quando comecei minha luta. Minha????? Que nada!
Naquela ocasião escrevi um post que vou destacar uma parte:

"Por favor, não chorem por mim ou comigo!!!!
Briguem (mas não exagere, Emilio!), chamem minha atenção! Eventualmente se eu balançar, fraquejar durante a luta, gritem forte, alto.....me estimulem, jamais passem a mão em minha cabeça, concordando que é duro, difícil.
Sou movida a energia, a desafios, e é isso que espero, que me estimulem na luta, vibrem com minhas vitórias e não me deixem esmorecer em pequenas derrotas."


E foi o que aconteceu! Tive torcida organizada que muitas vezes entrou em campo comigo:
A família toda, sobrinhos, amigos, alguns mais próximos: Elisete se encarregou dos fitoterápeuticos: Aloe Vera (eca!!!!) e graviola;Michele veio do Canadá, e passou comigo os piores dias;Solange e Rubinho incansáveis; Neide com a cromoterapia; Emilio quase nunca brigando, e sempre se preocupando; Esther em promessa; Laene, vigiando; Léa velando e rezando; igrejas orando, tantas que nem sei o numero certo, mas tenho certeza de que Ele sabe.

Torcida de dar inveja ao SPFC e Corinthians, sem camisa ou boné personalizado.

Hoje, sexta feira 23 de janeiro de 2009, depois de três sessões de quimioterapia,
algumas dores,alguns quilos a mais e todo cabelo a menos, tenho novo resultado e o nível do tal Ca é: 521,0 U/ml. Mais de 80% de redução da danada da Glicoproteína!

Não é o final da guerra, eu sei, ainda temos que baixar esse número ao nível normal, para depois fazer nova cirurgia, mas sem dúvida ganhamos uma batalha. Na verdade estamos na metade, tenho exames e na terça, a quarta quimio.

Agradeço a todos e cada um, que de seu jeito, esteve presente até agora e, peço, não desistam, porque eu não vou desistir, e conto com a ajuda de vcs.

Agradeço as orações, e continuo contando com elas.

Agradeço a Deus, que tem me abençoado e a minha família, dando forças para enfrentar esse período, sendo certo que nos manterá até o final, a fim de que se cumpra a SUA vontade em nossas vidas.

E vamo que vamo.......que o tempo não para.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Quero colo, vou fugir de casa.....


Há algum tempo me descobri dona de meu próprio nariz.
Não saí na rua em passeata de protesto exigindo liberdade e igualdade a qualquer preço, a vida se encarregou de trazê-las pra mim.
Tenho me vangloriado do fato de resolver todas as questões, quer emocionais, profissionais ou financeiras por minha conta e risco, arcando, sem reclamar, dos prejuízos e sem alardear, os sucessos.
Nas questões afetivas, priorizei minhas filhas, meus amigos, meus (poucos)familiares. Claro que, em determinados momentos elegi algum amigo que mereceu uma atenção maior (tb num sou de ferro, né??rs) mas nada que comprometesse minha liberdade e individualidade.
Não sei explicar muito bem como, ou porque isso aconteceu. Talvez a perda de meus pais, e depois a separação tenham me feito criar essa "proteção" contra possíveis novas perdas.
E assim fui tocando a minha vida, até.....
Ontem.
Ontem me encontrei tão livre, tão "eu" tão só, tão orfã.
Procurando um abraço daqueles que envolvem a gente inteira, que nos fazem sentir protegida, confortável, com um ombro macio pra recostar a cabeça, fechar os olhinhos e ... "desabar", mas....nada!
Chorei por telefone pra amiga lá no Canadá, chorei no msn, lendo emails de amigos solidários, chorei no consultório da psicóloga e no carro, sozinha.
Mas não passou a vontade de colo, do abraço, do aconchego, do calor humano......
E pensar que ainda há quem saia (até de vestido...hehehehe) em luta armada em nome dessa tal de liberdade, individualidade e os kambaus!

Tudo bem, vai passar...quem sabe um chocolate, ou uma barra inteira ajudem, não dizem que supre a carência?

Fugir de casa, nessa idade.....é....não vai dar!!!!

(texto escrito em outubro/08)